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Essa é a única coisa que estou fazendo enquanto o College não começa.

O WordPress registrou nenhuma visita, foi o recorde do meu querido e negligenciado blog. É a resposta a não posts novos. Sei sim que não estou dando o devido valor ao blog. Mas o meu compromisso comigo mesmo não é de postar posts a revelia, eu tenho que ter algo a dizer. Como minha vida anda monótona aqui em Boston, então não há posts. Não vou ficar tirando coelho da cartola pra ficar escrevendo coisas que não estou a fim. Certo?????

Quando Obama falava sobre democracia durante seu discurso, um homem na platéia gritou: “WE LOVE YOU”!

Esse discurso feito em Cairo ontem foi maravilhoso!!!!!!!!!

Vale a pena ser visto na íntegra, mas aqui vai apenas uma seleção das partes do discurso comentadas por Rachel Maddow do MSNBC.

Dez anos

Otávio, eu e Daniel aos 17 anos no Colégio Frei Orlando.

Otávio, eu e Daniel aos 17 anos no Colégio Frei Orlando.

Quando tinha 17 anos, a vida andava devagar. Eu quero dizer é que, por exemplo, dos 7 aos 17 anos foram longos dez anos. Eu lembro claramente que o dia passava numa lentidão impressionante. Minha vida resumia-se em casa-escola e escola-casa. Eu, até a quinta série, ia para a escola às 13:00 e saia às 17:30, e achava aquilo uma eternidade. Nunca vi uma tarde passar tão lentamente. Acontecia tanta coisa na escola nesse “intervalo” que fico pensando o por quê de hoje não conseguir fazer tanta coisa em 4 horas e meia.

Não tinha responsabilidades com nada, somente a cobrança dos meus pais em não repetir de ano na escola. Não pagava contas, não precisava trabalhar, não perdia cabelos… Era uma vida chata também. Hoje eu penso que se eu voltasse no tempo, com a minha cabeça de hoje, não teria paciência de viver a vida que vivia. Vida sem emoção. Mas, no contexto da época, posso dizer que foram bons longos anos.

Ontem fiz 27 anos. Como a vida andou rápido dos 17 aos 27. Mas há que se dizer que, contudo, a ânsia em fazer 18 anos fez com que os últimos meses dessa idade parecessem que não passavam nunca. Completos os 18 anos, você tira carteira e tem o mundo todo a sua disposição. Porém, esse mundo todo a disposição tem um custo. Não adianta ter o mundo se você não tem como pagar por ele.

A partir de então, você começa a adquirir responsabilidades para ter o melhor que o mundo te disponibiliza. Faculdade, trabalho e etc… Com o tempo a ficha cai, e você sente que é custoso viver. No auge da sua melhor forma física e mental, você se vê obrigado a se entregar de corpo e alma para construir um futuro. Há aqueles que não se preocupam com o futuro, mas a regra é você ralar muito, juntar capital – tanto financeiro, quanto intelectual – para ter uma velhice tranquila.

Portanto, o tempo passa a ser seu inimigo. Você tem tantas responsabilidades que o dia fica curto. O dia, ou seja, as 24 horas do dia, não são suficientes para você resolver tantas coisas. Estou me lembrando dos e-mails que recebo dos meus colegas de colégio que formaram junto comigo quando tinha 17 anos. Todo dia um propõe uma festa, um churrasco ou algo assim. E os que propõem dizem, “que tal dia tal?”, e outros dizem, “dia tal não posso, vou estar fazendo isso, que tal esse dia?”, ai vem um outro e diz, “mas nesse dia também não posso, porque vou estar fazendo aquilo”. Ou seja, ninguém tem tempo para nada. Os anos estão curtos, e o tempo é algo precioso. Tá difícil de achá-lo.

Agora me preocupo como serão os próximos dez anos. Será que serão mais rápidos do que esses que já se passaram? Pelo menos os cientistas dizem que esses próximos são os melhores da vida do homem.

“O problema todo é deixar de fazer aquilo que tem que ser feito, João”. O chefe estava nervoso com seu João. João, era o mais novo funcionário da companhia Cleaning Co. Apesar da idade avançada e de dificuldades físicas, João tinha consigo que ele era capaz de trabalhar na empresa. João tinha uma dívida muito alta a ser paga, e por isso não poderia abrir mão de tal trabalho.

Cleaning Co. era uma companhia de limpeza bastante requisitada na região de Boston. Ela era de propriedade de Machado, que havia chegado aos EUA a mais de 23 anos. Machado havia começado sua aventura americana aos 25 anos de idade, trabalhando em uma outra companhia de limpeza, propriedade de outro brasileiro, o Dutra – este por sua vez, chegou juntamente com os primeiros valadarenses há mais 35 anos.

Machado contratou João mediante a indicação do seu grande amigo, Roberto. Roberto era um rapaz novo, por volta dos seus 30 anos, que havia trabalhado para Machado, mas que tinha acabado de montar a sua própria companhia. João conhecia Roberto através de seu filho Sebastião, grande amigo de infância de Roberto. Sebastião continuava no Brasil, apesar de ter tido várias oportunidades de ir para os EUA. Ele amava a vida no campo e não abria mão de sair do lado de sua esposa e de seus filhos.

João, diferentemente de seu filho, quis enfrentar a batalha de entrar nos EUA, pelo México, e trabalhar uma jornada de 60 horas semanais, para conquistar o seu grande sonho. Ter uma casa própria sempre foi uma meta para João, porém nunca foi possível atingi-la enquanto trabalhava na roça, nas terras de José Pedro, o Gordo.

Gordo emprestou-lhe uma quantia razoável de dinheiro para o pagamento de coiotes que o atravessaria para os EUA através da fronteira do México. Era arriscado, além de ser uma viagem perigosa, era arriscado para um homem daquela idade tentar algo novo em um país diferente. João não tinha conhecimento algum de inglês, e ainda por cima, mal escrevia seu próprio nome. Ele demorou 35 dias para chegar em Boston, e em menos de um mês já estava empregado na Cleaning Co.

Vivendo de favor na casa de Roberto, seu João começou o trabalho novo. Vários dias foram se passando e o dinheiro proveniente do trabalho começou a aparecer. “A vida na América é boa demais”, pensava seu João. “Trabalho muito, porém ganho o suficiente”. Entretanto, a vida na América tem um custo, é caro viver. Depois que deixou de viver de favor, ele teve que começar a pagar aluguel. Depois vieram as cobranças do Gordo – que de tão correto não deixava de cobrar dívidas. E ainda restava o sonho, que foi ficando cada vez mais difícil de ser alcançado.

Embora insatisfeito com o trabalho, João continuava se dedicando. Seu chefe Machado, no entanto, ficava cada vez mais irritado com ele. No dia que Machado chamou sua atenção, ele pensou durante dias o que ele quis dizer com aquela frase. Nunca soube se Machado havia lhe cobrado algo que devia ser feito no trabalho, ou algo diferente. Ele pensava que nunca havia deixado nada que tinha que ser feito por fazer. E aquilo intrigou seu João. Mas, ele continuou fazendo o seu trabalho normalmente e se esqueceu daquilo.

Machado estava irritado com Seu João, pois este sonhava demais. Sonhava o sonho que Machado um dia sonhou – que também foi para a América atrás de um sonho. Sonho que nunca deixou de ser sonho. Sonhar em um dia ter algo ou ser alguma coisa importante. Machado não mais sonhava, vivia a realidade de sua vida, e se irritava com os sonhos alheios. Diferentemente dele, seu João não se dava conta da realidade, e mesmo num estágio avançado da vida, mesmo insatisfeito e infeliz, vivia de sonhos.

No primeiro dia, Deus traçava Seu plano para o mundo e tudo que nele há. Ele esboçava os oceanos e dinossauros, os grãos de areia nas praias e a ascensão e a ruína do homem. Porém, Ele acreditava que estava faltando glamour ao Seu projeto, então Ele chamou alguns de Seus anjos para dar-Lhe uma forcinha.

Depois de uma porção de futilidades vinda dos anjos – a forma peculiar do nascimento dos mamíferos, queijos picantes, Paris Hilton – um sefarafim chamado Lance levantou e pediu a palavra.

“Eu tenho uma coisinha que eu venho testando em meu laboratório”, ele disse, “e eu a chamo de bebiba alcoólica”.

“Mas que diabos é isso?” perguntou Deus.

Lance coçou sua barbichinha pensativo. “Bem, essa coisa pode engordar e também te dar gases que, as vezes, faz você arrotar em público. E uma vez que que você começa a beber, fica muito difícil de parar.”

Deus levantou as sombrancelhas, mas Lance continuou. “Isso desvirtua suas emoções, fazendo você se comportar, alternadamente, de um jeito mais carinhoso, mais promíscuo e sentimental demais. Mas, isso tudo é temporário e tudo acaba com uma forte desidratação e um cheiro fortíssimo sentido a distância. Ah, e isso acaba com o cérebro e o fígado também.”

“Essa é a idéia mais idiota que ouvi hoje!” esbravejou Deus. “Já basta o anjo Raphael, que está ali, que me veio com a idéia de um tal ornitorrinco. Mas, Lance, pra que serve essa tal de bebida?”

Lance sacudiu os ombros e disse: “A bebida faz isso tudo”, metendo seu dedo no esboço do universo, com todas as suas infinitas decepções e chacotas existenciais, “tolerável”.

*Texto de Andrew Rimas, editor da revista Improper Bostonian. Publicado em inglês na Improper Bostonian Vol. 18, Nº 10. Tradução livre.

Barbosão

O ministro Joaquim Barbosa virou popstar, com direito a montagens bem-humoradas no YouTube. Tenho o maior respeito pelo senhor Ministro. Ele, realmente, falou o que muita gente queria ter falado ao ministro Gilmar Mendes. Gilmar Mendes não é o tipo de pessoa que gostaríamos de ver no STF. Então, é fato que depois que o ministro Barbosa chutou o pau da barraca e disparou contra Gilmar Mendes, ele virou o herói da nação. Ótimo! Barbosão encarou o presidente da casa e botou pra quebrar. Acusou Mendes de certas coisas, dentre elas de estar destruindo a credibilidade do judiciário do Brasil. Disse também que o Ministro Gilmar está na mídia ao invés de estar nas ruas como ele, que está com o povo. Ou seja, o povo, na visão de Barbosa está do lado dele, enquanto a mídia, a que forma opinião, está com Mendes.

Pois então, para comprovar o fato de que é mesmo popular, o ministro Barbosa apareceu em público na cidade do Rio de Janeiro, 48 horas depois do fatídico bate-bota no Supremo. “Saia à rua, ministro Gilmar. Faça o que eu faço”. Ele fala e faz. Isso aconteceu numa sexta-feira de expediente normal no Supremo. Saiu com mais três amigos para tomar um choppinho em um tradicional restaurante do centro do Rio. Com 17.207 processos que esperam por uma decisão do ministro, Barbosa fez questão de ir caminhando até o carro oficial, após o almoço, que estava estacionado na movimentada esquina da avenida Rio Branco. Rapidamente formou-se uma aglomeração de pessoas em torno dele.  Recebeu vários “parabéns” da galera.

Barbosa, para mim, deve ser um cara gente boa. Mas ele tem que parar de querer ser a vítima do STF. Ele não é somente desafeto do ministro Gilmar Mendes, mas também de alguns outros ministros. Ano passado, ele chamou o Ministro Eros Grau de “Velho Caquético”, chamando-o para porrada. O ministro Eros Grau, de 68 anos, lembrou de um BO registrado na delegacia da mulher pela esposa de Joaquim Barbosa, por ele ter batido nela. Sendo mais sarcástico, o Ministro Eros Grau disse ainda que “pra quem bate em mulher, não seria nada estranho bater num velho”.

Outra coisa também que notei na atuação do ministro é que ele usa desculpas demais para se ausentar em decisões importantes do Supremo. A discussão com o ministro Gilmar começou justamente pelo fato de Barbosa ter falhado em uma das sessões do STF. Em uma decisão importante como a cassação do ex-governador Jackson Lago do Maranhão, ele como ministro integrante do TSE, alegou motivos de foro íntimo e foi convocado outro ministro, Ricardo Lewandowski, para substituí-lo.

Estou dizendo tudo isso para mostrar que, apesar de gostar de Joaquim Barbosa, algumas ponderações têm que ser feitas para não comerçarmos a endeusar uma pessoa somente porque ela teve coragem de dizer coisas que todo o país gostaria de ter dito. Concordo com o comentário que recebi que diz que o ministro Barbosa “foi como aquele menino emburrado em festa de família: apela em pleno jantar porque não quiseram lhe dar um brinquedinho novo e acaba soltando os podres dos pais pra toda a parentada (que tá cansada de saber deles, mas que não deixa de ficar “estarrecida” quando alguém os fala em alto e bom som)”.

Gostaria que a charge, logo abaixo, refletisse mais a realidade. Gostaria que o ministro Barbosa começasse a desvestir de fato a justiça do país e mostrasse ao povo a  realidade que está  por baixo e não ficar somente nos discursos e ataques infundados que ele fez até agora.

barbosao